domingo, 13 de março de 2016

Infelizmente Samuel Klein, fundador das Casas Bahia, faleceu essa quinta-feira. Um homem espetacular, com muitas histórias pra contar. Em 2009 cheguei a fazer uma poesia baseada na sua biografia, uma pena que nunca tenha chegado em suas mãos (até onde eu saiba). Meus pêsames à família, e que ele possa descansar em paz.

quinta-feira, 8 de março de 2012

A Mulher Que Deus Criou


Quem decifraria, ó Deus, a mulher que tu criaste
Quem a conheceria, se tu não o revelaste
Pois há mistério sim, na beleza que se vê
Tão ocultos que para mim, é difícil descrevê-los
Eu queria descrever, seu mecanismo interior,
Falar do seu organismo, do seu ódio e seu amor
Organismo tão complexo, nas fases que apresenta
Imagine o mistério, de uma mãe que amamenta
Além desses seus hormônios, nos seus rodízios internos
Não há quem substitua, o aleitamento materno
Como aplacar o seu ódio, quando lhe for provocado
Maior é o seu amor, se com este comparado
É grande o teu valor, pois só Deus é que supera
O teu expressivo amor, que faz a vida tão bela
Que pena que cobiçaste, o tal fruto proibido,
E com isso tu pecaste, juntamente com o marido
Foi o ponto de partida, foi a morte foi a vida
Conseqüência adquirida, pelo teu ato mulher
A primeira atitude, sobre as ordens do Senhor
Foi um ato sem virtudes, bastante revelador
Mulher sábia mulher tola, de onde é que tu vem
Se não daquela atitude, que tomasses lá no Éden
Pois sei que o Criador, te deu oportunidade
Até para dar à luz, sem a dor da punidade
Mas recebeste assim, o castigo do Senhor
Ele disse até o fim, terás o filho com dor
Mesmo assim o Senhor, te concede alegria
Pois no temor do Senhor, acharás sabedoria
Quem for sábia seja sábia, quem for tola seja tola,
Se Deus punirá a sábia, que se dirá de uma tola
Mulher sábia se revela, até no jeito de andar
A tola diz quem é ela, até no cascavilhar

A tola tem ciúmes, a sábia zela os seus
A tola briga e murmura e a sábia ora a Deus
A tola pisca com os olhos, gesticula no falar
A sábia fecha os olhos e começa a orar
A tola não acredita, no que o esposo vai falar
A sábia ouve e medita, mesmo que venha duvidar
A tola se precipita e tudo tem para falar
Enquanto a sábia medita, como deve se portar
A tola destrói sua casa e começa a lamentar
Com o bater de suas asas, jogou tudo para o ar
A sábia vai levantando, as paredes do seu lar
A cada dia orando, para o Senhor abençoar
E o Senhor abençoa, com muita fidelidade
Ungindo a mulher sábia, com a virtuosidade
E feliz é o varão, que achou esse favor
Mulher sábia e virtuosa é presente do Senhor
Mas da tola o que dirá, o que com ela casou
Talvez não queira orar e agradecer o favor
Mulher tola seja sábia, ore a Deus todo dia
Seja temente ao Senhor e acharás sabedoria
E você que já é sábia, pelas obras a gente vê
Saiba que o Senhor Jesus, tem um prêmio para você.


Um poema que tenta revelar o caráter de uma mulher sábia, enquanto censura as atitudes da mulher tola. No final, é uma homenagem à mulher em si.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Como Falar de São Paulo


Como falar de São Paulo, se é tão grande tão imensa
Se sua história cheia de estória entre repúdios e glórias
Supera o que a gente pensa.

Como falar de São Paulo, sem cometer injustiça
Como defender sua riqueza se tão de perto a pobreza
Me fustiga e me atiça.

Como falar de São Paulo, sem usar duas medidas
Se quando lembro das praças e suas grandes avenidas
Lembro-me também das traças, que vivem roendo a desgraça
De outra gente tão sofrida.

Como falar de São Paulo e dos que aqui partilham
São tantos astros brilhantes ofuscado pelo eclipsante
Negrume dos que não brilham.

Como falar de São Paulo, do que é bom do que é ruim
Pois se pra muitos tu negaste um lugar, um barraquim
Ainda bem que guardaste um cantinho para mim.

Como falar de São Paulo, mesmo assim eu me proponho
Falas de tuas conquistas, já que encabeças nas listas
Dos que perseguem seus sonhos.

Eu falo de ti São Paulo e desta reciprocidade
A muitos fizeste crescer e eles pra agradecer
Fizeram a grande cidade.

Orgulhosa como és, destaca-se entre as flores
No destilar dos teus méis, atrais os Beija Flores
Que vem do mundo inteiro e dos teus interiores
Desde o simples aventureiro, aos mega especuladores

Uns riem, outros choram, cada um com suas dores
Desde o morador de ruas sonhando com os favores
Ao investidor estrangeiro quando perde seu dinheiro
Lá na bolsa de valores.

Mas acima disto tudo o que a história revela
É que São Paulo cresceu, quem plantou aqui colheu
Por isto São Paulo é bela.

E nessa miscigenação com expressões mundiais
Imagine os corações falando todos iguais
Num grito unissório, dizendo eu te adoro
Não te deixarei jamais...

sábado, 11 de dezembro de 2010

A Bíblia


Antes da forma escrita, ela já era falada,
E assim subsistia, às primeiras rivalidades
Da sua longa jornada.

Os papiros manuscritos, foram rompendo milênios
Até ser canonizada e finalmente moldada
Na forma que hoje temos.

Testemunha da História, de inestimável valor
Experimentaste a glória, mas também não ignora
O desprezo e a dor.

Vieste para vencer, não podias ser vencida
Até o fogo provaste, a quem tu não enfrentaste
Sem nunca ser corrompida.

Os homens te odiaram, pela tua formosura
E os que te defendiam, eram presos e sofriam
As mais terríveis torturas.

Eu conheço tua glória, mas quero falar da dor
Quantas chagas e feridas, hoje estão esquecidas
Pelo tempo que passou.

Quantos que te defendiam, deram a vida por ti
Não em forma de favor, mas pelo imenso amor
Pra ti ver subsistir.

Mas isto não era tudo, queriam ver o teu fim
Sabiam do teu valor, do testemunho de amor
Que você trazia sim.

Imperadores e Reis, te atribuíam desgraça
De ti faziam fogueiras, como se fossem lareiras
Se aqueciam em plena praça.

Aos homens se proibia, que sobre você falasse
E que te dessem abrigo, corria grande perigo
Aquele que te guardasse.

Quantos sinos já tocaram, a marcha de um caixão
E os que te sepultaram, abismados se calaram
Com tua ressurreição.

Quantos martelos gastaste, venceste os homens e o tempo
Como bigorna de aço, sobre ti cansam-se os braços
Como quem malha ao vento.

Hoje tu és tão bela, que nem lembramos da dor
Queremos tua mensagem, pois teus versículos nos trazem
O maior exemplo de amor.

És para nós fonte de vida, já que foste tão fiel
Cumprindo tua rotina, cada dia nos ensina
O caminho para o céu.

Foi Deus quem te protegeu, em todos os contratempos
Pois você testemunhou, os grandes feitos do Senhor
E guardou os mandamentos.

Para uma geração, de gentios e pecadores
Que desprezam a verdade, em tudo infiltram maldade
Inclusive nos amores.

Mas tem os que reconhecem, a tua soberania
Sabem que és portadora, da mensagem salvadora
Que sem ti não existiria.

Por tudo tu és sagrada, porta-voz do Salvador
Foste inspirada por Deus, revelada aos servos seus
Pelo Espírito do Senhor.

Não há outra como tu, que possa ser comparada
Quem discernir a leitura, das sagradas escrituras
Não lhe compara com nada.

É a palavra de Deus, inspiração do Senhor
É nossa Bíblia querida, que nos faz gozar a vida
Na doce paz do Senhor.

domingo, 28 de novembro de 2010

Revendo as Escrituras

REVENDO AS ESCRITURAS

Entre as trevas, num abismo sombrio
Se movendo sobre as águas, o Espírito de Deus surgiu
E se você quer saber, de onde Ele surgiu
Pergunte à sabedoria, que a tudo isto viu
Quem sabe ela te diga, se você for um fiel
Porque além do que vimos, ainda há outros céus
Quem sabe ela te diga, que ele estava no segundo
Trabalhando e planejando, como faria este mundo
Ou estava no terceiro, no seu trono a repousar
Recebendo dos seus Anjos, os louvores sem cessar
Ou quem sabe ela queira, simplesmente te informar,
Das coisas que Ele fez, quando apareceu por cá
Criou o céu, terra e mar e tudo o que neles há
E também criou Adão e o pôs a espiar
E como se não fora, o suficiente a Adão
Lhe deu uma adjuntora, pra não sentir solidão
E ainda os visitava, quando o sol tinha se posto
E a eles confirmava, confiança e conforto
Mas depois veio o pecado, poluindo a consciência
De Deus foram separados, pela desobediência
E criou-se a descendência, no pecado de Adão
Começando por Caim, que matou a seu irmão
E a terra se encheu, de uma geração carnal
Que de Deus se esqueceu e só praticava o mal
E Deus também sofreu, por causa destes pecados
Pelo que se arrependeu, de ao homem ter criado
E orientou a Noé, por ser um homem fiel
Para o livrar da maré, que desceria do céu
E já depois de Noé, apareceu Abraão
Homem firmado na fé, pai da nova geração
A quem Deus fez a promessa, na sua fidelidade
E disse a ele: te resta, ser pai da posteridade
Abraão farto de dias, Sara já não tinha brilho,
Mais Deus ali prometia, que lhes daria um filho
Sara rindo e disfarçando, logo foi repreendida
E no passar de um ano, a promessa foi cumprida
Nasceu Isaque menino, a quem Abraão amou
Mas Deus lhe pediu o filho e Abraão não negou
Levou-o a Moriá, Terra por Deus preparada
Para o sacrificar, partiram de madrugada
Na hora do holocausto, Abraão já conformado
Levantou o seu cutelo, mas foi por Deus avisado
Não faças tal Abraão, pois pra provar que me amas
Não privaste o teu filho, de ser desfeito em chamas
E assim viveu Isaque e de Isaque Jacó
E de Jacó veio José, o qual Deus não deixou só
Teve Jacó doze filhos e por ter sido fiel
Teve seu nome mudado, de Jacó para Israel
E José sendo vendido, pelos seus onze irmãos
Foi levado ao Egito, a preço de traição
Lá José foi provado e foi achado fiel
Por ele foi preparado, um berço para Israel
E de Jacó se formava, lá nas terras do Egito
As doze tribos de Israel, que Deus havia predito
E depois de castigada, por mão de homens cruéis,
Deus de lá os resgatava, pelos braços de Moisés
Porque Deus com juramento, prometeu a Abraão
Que daria livramento, à sua nova geração
Deus amou ainda mais, este povo de Israel
E lhes fez grandes sinais, mandando maná dos céus
Conquistaram muitas terras, destruíram multidões
Se apossaram de reinos e poderosas nações
E Deus guiou este povo, tão duro de coração
Pela promessa que fez, ao seu servo Abraão
E mandou muitos profetas, mesmo depois de Moisés
Para que os ensinassem, a serem homens fiéis
Mas foram sempre infiéis, ao Deus de Abraão
Circuncidavam a carne, mas nunca o coração
Deus mandou também juízes, cada um com uma missão
Mandou homens valorosos, valentes como Sansão
Enviou também Elias, para os livrar do mal
O qual veio e destruiu, os profetas de Baal
Jamais alguém descreveu, todas obras do Senhor
Muito menos farei eu, miserável como sou
Mas chegamos a Davi, homem dos últimos dias
Lutando até com gigantes, valentes como Golias
Mas Deus lhe deu a vitória, só com uma funda na mão
Para cumprir a promessa, que tinha com Abraão
E Davi profetizava, do que ele tinha visto
Pois Deus já lhe revelava, a vinda de Jesus Cristo
Mas Deus ainda cumpria, a promessa com Abraão
E encheu de sabedoria, o seu servo Salomão
E encontramos Isaías, falando de um Salvador
Entre as suas profecias, anunciava o Senhor
É vindo o Emanuel, anunciou Isaías
E alertou Israel, para estas profecias
Deus instruiu Israel, para o arrependimento
Deu a eles estatutos, Deu leis e deu mandamentos
Mas eles desonraram, as leis e os mandamentos
Por isso veio Jesus, com o novo testamento
Veio o homem da divisa, entre os dois testamentos
Este é o que batiza, para o arrependimento
João Batista no Jordão, batizava Israel
E confirmava o perdão, que Deus mandara do céu
João Batista viu Jesus e expressou bem profundo
Eis o cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo
E Israel rejeitou, até aqui o perdão
Pelo que também matou, este profeta João
Que já tinha preparado, os caminhos do Senhor
E já tinha anunciado, a vinda do Salvador
Jesus já se faz presente, o Salvador está perto
E está sendo tentado, por Satanás no deserto
E ele venceu a Satanás, depois voltou do deserto
Anunciando a paz e o fim que está perto
Operando os sinais, que nunca se tinha visto
Deus cumpriu ainda mais, a promessa em Jesus Cristo
Começou na Galiléia, pregando para os vizinhos
Na festa de casamento, transformou água em vinho
Jesus Cristo na Judéia, a todos ia ensinando
Subiu para a Galiléia, pregou aos samaritanos
Chegou à Galiléia, cumprindo sua missão
E ali Jesus curou, o filho do centurião
Jesus é o pão da vida, disto prova nos deixou
Sim dos vivos e dos mortos, de todos Ele é Senhor
Para julgar um pecado, os fariseus lhe provaram
Mas na resposta de Cristo, todos eles recuaram
Atirem a primeira pedra, quem pecado não tiver
Mas todos logo fugiram, deixando livre a mulher
Jesus é a luz do mundo, suas obras diz que Ele é
Vê a cura do ceguinho, no tanque de Siloé
Jesus é o bom Pastor, que desmascara o ladrão
Da vida é Salvador, da morte ressurreição
Na entrada triunfal, que fez em Jerusalém
Ouviu-se um lindo coral, Hosana ao Rei que vem
Lavou os pés dos apóstolos, nos deixou esta lição
E falou da sua morte, prevendo a traição
Jesus promete voltar, depois da ressurreição
Mas para os seus não chorar, prometeu consolação
A videira verdadeira, Jesus disse: Eis que Sou
E desta grande videira, meu pai é o lavrador
Estai em mim e eu em vós e vereis frutos crescer
Pois sem mim estareis sós e nada podereis fazer
Deu as últimas instruções, depois orando por si
Orou pelos seus discípulos e se retiraram dali
Foram para o Getsêmani, onde Jesus foi traído
Após Ele ter clamado, com grande dor e gemido
Logo foi sentenciado, o inocente Jesus
Depois de ser humilhado, foi pendurado na cruz
Jesus ali teve sede, com muitas dores clamou
Eli, Eli lama Sabactani e ali Ele expirou
Foi sepultado Jesus, em uma tumba
Porém ali não ficou, depois do terceiro dia
Pois Maria Madalena, foi lá no terceiro dia
Porém não acreditou, ao ver a tumba vazia
Ao conferir outra vez, viu o anjo que dizia
Por que choras ó mulher! E ela lhe respondia
Levaram o meu Senhor, não sei onde ele está
Quando pra trás ela olhou, ouviu alguém lhe falar
O que procuras mulher!, por que estais a chorar!
Procuro o meu Senhor, me diga onde ele está
E ele apenas disse: Maria, como se fosse um teste
E ela disse: Raboni, que em hebraico é: Mestre
Pois ela o reconheceu, só pela voz que ouviu
Que aquele era Jesus, que dos mortos ressurgiu
Assim subiu o Senhor, está à destra de Deus
Mas como ele falou, o Espírito Santo desceu
Os discípulos reunidos, no pentecostes a orar
Quando se ouviu um zunido, de um forte vento a soprar
Mas não era só o vento, descia fogo do céu
E se cumpria o advento, que profetizou Joel
E receberam assim, a promessa do Senhor
Jesus disse: após mim, virá o consolador
O Espírito da verdade, este vos ensinará
E tereis autoridade, para me testemunhar
Neste dia receberam, novas línguas pra falar
Autoridade de Deus, para os demônios expulsar
Para curar os doentes, Jesus lhes deu a unção
Para esmagar as serpentes e pisar escorpião
E tudo isto Deus fez, pra nos dar a salvação
E cumprir sua promessa, que tinha com Abraão
Cumpriram-se mais ainda, muitas outras profecias
Que anunciavam a vinda, do grande Rei o Messias
Ele veio, Ele reinou, nos deu exemplos profundos
Com o Diabo lutou, venceu o inferno e o mundo
Chegamos no Apocalipse, para revermos ainda
Pois ele deixou escrito, acerca da sua vinda
Muitos sinais surgirão, precedendo este dia
As trombetas soarão, como diz a profecia
E os mistérios selados, dos ais que estão pra vir
Tudo está preparado e tudo vai se cumprir
Nestes dias a meretriz, mãe das prostituições
Que apodreceu a raiz e os frutos das nações
Quem és tu desventurada e quem te defenderia
Se a tua veste manchada, a ti mesmo puniria
Nestes dias te virá, grande mágoa e desgosto
Pois toda tua imundície, será lançado em rosto
A quem não tens enganado, com a tua idolatria
Somente a quem Deus tem dado, graça e Sabedoria
E Deus dará mais ainda, ao que lhe for fiel
Terá no livro da vida, o nome escrito no céu
Com Abraão Deus cumpriu, toda promessa devida
E com os crentes: Jesus, cumprirá com sua vinda
Certamente cedo venho, afirmou nosso Jesus
E com João nós dizemos, ora, vem Senhor Jesus.

Um poema de tirar o fôlego, de Gênesis ao Apocalipse, os mais notáveis episódios da História judaico-cristã.
Se você não conhece a Bíblia dá para perceber o que você está perdendo, se você conhece a Bíblia sabe do valor desta obra.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Pródigo I


PRÓDIGO I

Eis o enigma da salvação, o segredo da alma
O mistério do perdão,
porque o justo padece até privação de pão,
enquanto o ímpio se alegra
Levando a vida sem regra, na sua dissolução

Numa família de bem, pais e filhos trabalhando
Ano vai e ano vem e os filhos se formando
Quando os pensamentos vêm, faz do mais moço refém
Começam lhe torturando

Sou dono do meu nariz, tenho parte na fazenda
Vou ser um homem feliz, muito longe desta tenda
Vou partir deste lugar, estou farto de trabalhar
Espero que o pai me entenda

Papai me escute agora, disse o moço a seu pai
Trabalhei até agora e já não agüento mais
Me dê a minha herança, porque eu não sou criança
E já passo de um rapaz

O velho pai pesaroso, deixou as lágrimas rolar
Pois sonhando com o gozo, que a vida ia lhe dar
O seu filho não iria, ponderar naquele dia
As voltas que o mundo dá

Deixou o filho partir, com a herança na mão
Porém ficou sem dormir, de tanta preocupação
O meu filho foi embora o que será de mim agora
Feriste meu coração

Enquanto isso o rapaz, já em terra bem distante
Começou sonhar de mais, gastando com as amantes
Batia com a mão no peito, desfruto do meu direito
Diria para as amantes

Muitos dias se passaram, vivendo na regalia
Muitas mulheres andaram, sob sua companhia
Os dias iam passando, o dinheiro se acabando
E ele não percebia

Foi de repente que viu, sua ruína chegar
Quando ele descobriu, que tinha que trabalhar
Já era tarde demais, era um pobre rapaz
Aos porcos apascentar

Quando disse não agüento, a fome vai me matar
Falta água e alimento e ninguém tem para me dar
Enquanto os porcos comiam, bolotas seus olhos viam
Desejou se alimentar

Lembrou do que tinha feito, com o pobre do seu pai
Destrui o meu direito, nem filho posso ser mais
Voltarei para minha casa, como quem perdeu as asas
Cairei junto ao meu pai

Pois até seu jornaleiro, tem abundância de pão
E não lhe falta dinheiro, rico é o meu irmão
Pai pequei contra Deus, não ouvi os rogos seus
Vim lhe pedir o perdão

E se pôs a caminhar, pois era longa jornada
No sol quente a lhe queimar e na brisa da madrugada
O seu pai não acredita, quando o seu filho grita
É ele lá na estrada

Correndo vai ao encontro, aquele pai sofredor
Com o seu coração pronto, para derramar seu amor
Meu filho que alegria, tu vieste neste dia
Aliviar minha dor

Não sou digno ó pai, de ser chamado teu filho
Veja já não tenho mais, nem um pouco do teu brilho
– Tu estavas perdido, para mim tu tinhas morrido
Te encontrei eis meu filho

Tragam roupas para ele, sandalhas para seus pés
E coloquem nos seus dedos, um dos melhores anéis
Façam tudo com cuidado, preparem um boi cevado
Hoje há festa até nos céus

Vem chegando da lavoura, cansado de trabalhar
O seu irmão mais velho e não quis em casa entrar
Quando ouviu o barulho, encheu-se de orgulho
E não quis se contentar

Trabalhei até aqui, nunca desfrutei de nada
Nunca mataste para mim, uma ovelha desmamada
Parece que me detesta e ainda fazes festa
Para este camarada

Tudo que eu tenho é teu, foi o que o pai respondeu
Teu irmão estava perdido e agora se achou
Para mim não tinha mais jeito,
Morreu dentro do meu peito e Deus o ressuscitou

Entra em minha companhia, veja que tenho razão
Para toda essa alegria, é chegado o teu irmão
Completa este meu gozo, pedia o velho choroso
Dá também o teu perdão

Certamente se abraçaram, completou-se a alegria
E todos juntos gozaram, de uma velha companhia,
O filho pródigo voltou e o pai lhe perdoou
Os males da fantasia.

São Paulo, 25/12/09

Este poema traduz de maneira fidedigna a parábola do filho pródigo, o que pode parecer para o leigo algo fictício é na verdade um relato que tem um pano de fundo histórico bastante relevante, já que a parábola foi proferida pelo próprio Jesus.
É evidente que há alguns traços creditados ao autor em razão da sua busca de consonância de sons e palavras que num poema desta espécie é praticamente inevitável, o que não compromete a sinceridade e intenção do autor em transmitir com integridade o texto sagrado. Os que já conhecem o texto poderão desfrutar com maior gozo deste poema.

Schmiliale



A biografia do senhor Samuel Klein, fundador das Casas Bahia, em uma poesia.

Zaklikov polônia, o Senhor Sucher Klein
A pesar de estrangeiro, como um bom carpinteiro
Se adaptou muito bem.

Szeva klein, era a rainha do larCom quem
Sucher se casou e agora com muito amor
Tem cinco filhos pra criar.

Sloma e Esther, Schmile ou Samuel
Césia ainda muito menina, mas Isaac é que termina
Fazendo da casa um céu.

Numa família bonita, como era a prole do Klein
Não faltava alegria, enquanto os filhos cresciam
Ajudavam o pai também.

A alegria do lar, às vezes era ofuscada
Por preconceito e racismo e a ameaça do nazismo
Lhes preparando emboscada.

Descendentes de Abraão, conhecedores de Deus
Longe de sua nação, sofria humilhação
Por serem povo judeu.

Os filhos de Abraão, novamente em terra estranha
Quem diria Israel, que tu beberia fel
Nas taças da Alemanha.

À sombra desta ameaça, vivia a prole do Klein
Quanto mais tempo passava, a guerra se aproximava
E assustava os Klein.

As tropas de Adolfo Hitler, bateram na sua casa
Schmiliale foi pra ver e começou a tremer
Como quem pisou em brasa.

Quando eu falo Schmiliale para que se entenda bem
Eu explico pra vocês, traduzido em português
Este é Samuel Klein.

Que viu as tropas levarem, sua família inteira
E depois os separarem, colocando em fileira
Homem, mulher e menino, uns pra vida, outros pra morte

Cada um com seu destino, cada um com sua sorte
Viu sua mãe ser levada, com o caçula pra morte
Mas como ele ficou vivo, teve que enxergar motivo
Pra dizer que teve sorte.

Quando olhou pra sua mãe ela chorando pediu
Salve-se Samuel, salve-se e nunca mais ele a viu
E o furacão da guerra, rodopiou Samuel

Não só ele mas também, toda família do Klein
Sentiram o sabor do fél.

As perdas e humilhações são de extingue a fé
Mas como tem Deus nos Céus, encontramos Samuel
Ferido e Fugindo a pé.

Salve-se Samuel, Salve-se me lembra o sangue de Abel
Pois o clamor de sua mãe deve ter chegado ao céu.

E agora livre da guerra, procura os sobreviventes
Reencontrou três irmãos e seu pai muito doente.

Samuel vai trabalhar, tem alma de aventureiro
Mas é um rapaz esperto, sabe achar negócio certo
Onde vai ganhar dinheiro.

Como nômade na terra, sem lugar pra se firmar
Mas de cabeça erguida, como quem sabe que a vida
Tem muito que lhe ofertar.

Samuel está solteiro e precisa se casar
Traz uma alma ferida, a espera de uma querida
Que lhe possa balsamar.

Samuel encontrou Ana, por quem se apaixonou
Só foi ela concordar e ele se preparar
E em pouco tempo casou.

Mas a onde vamos morar, perguntava pra mulher
A Alemanha está ruim, preciso deixar Berlim
E as lembranças do Hitler.

Iremos para Israel, ou América do Norte
Pois estou fazendo plano, de cruzar os oceanos
Para tentar nossa sorte.

Mas saíram de Berlim, para o Rio de Janeiro
Já na América do Sul, um Céu lindo azul
Cumprimenta o estrangeiro.

De passagem pra Bolívia, por lá ele residiu
E depois de examinar, resolveu sair de lá
E vir morar no Brasil.

Tudo era muito estranho, povo, língua e cultura
Mas pra quem veio da guerra, ao olhar pra nossa terra
Só enxergava fartura.

Enquanto este povo farto, pisa em favos de mel
Pra mim que o pão acabou-se até o amargo é doce
Diria o Samuel.

E assim foi para a luta, como bom desbravador
Batendo de casa em casa, ele sustenta sua casa
Com a arte de vendedor.

E por falar em sua casa, vamos entrar para ver,
Não digo ver a mobília, mas vamos ver a família
Que não para de crescer.

Michael nasce em Berlim e vem pra América do Sul
Nasceu mais um no Brasil e quando Samuel viu
Deu-lhe o nome de Saul.
Em homenagem ao seu pai, que não pode vir pra cá
A Eva também chegou e Samuel se alegrou
Com a vinda do Oscar.
Em fim uma fase feliz, para compensar às dores
Samuel se sente assim, bem no meio do jardim
E rodeado de flores.
Mas Vamos voltar para rua, a cidade é São Caetano
Um município paulista, a freguesia aumentando
E Samuel se organizando, já tem listas e mais listas.

O dia amanheceu, Samuel está nas ruas
Não pense que era moleza, mas não havia tristeza
Quando ele estava nas ruas.

Lá vem o turco mamãe prepara logo o dinheiro
Era assim que o chamava e o Samuel adorava
A fama de mascateiro.

Pois aquela freguesia, o tratava muito bem
Uns pagando, outros comprando e a criançada gritando
Mamãe o turco já vem!

De charrete ou a pé, batendo de porta em porta
Às vezes todo molhado, outras vezes todo suado
Mas ele tinha um ditado, trabalhar é o que importa.

A língua era complicada, falar quase não sabia
Mas como bom vendedor, quantas vendas ele fechou
Com a sua simpatia!

Foi assim que Samuel, aumentou a freguesia
E com o dinheiro que ganhou, um belo dia comprou
A loja Casa Bahia.

Era só uma lojinha, na Francisco Matarazzo
Samuel se organizou, contratou mas vendedor
E insistiu na venda a prazo.

Boa farinha e bom fermento, fazem o bolo crescer
Bom produto e argumento e prazo pra pagamento
E mais fácil de vender.

Foi assim que Samuel, fez a receita caseira
E aplicou no dia-a-dia, as receitas que fazia
Para as crises financeiras.

Driblando as situações, que o mercado lhe impôs
Quando tinha que agir, se apressou em decidir
Nunca deixou pra depois .

Tornou-se respeitado, entre as multinacionais,
Cada dia que passava, a sua empresa aumentava
E Samuel vendia mais.

Muitos anos se passaram, vendo a empresa aumentar
Mais nem tudo era alegria, pois como homem sofria
Os golpes que a vida dá.

Ele chegou a onde quis, não podia reclamar
Se não fosse os dissabores, as tristezas e as dores
Que teve de enfrentar.

No meio da alegria, por tudo que conquistou
Um dia chega à tristeza, tirando de sua mesa
Quem tanto lhe alegrou.

O desfalque foi tão grande que a dor não quis parar
Não esquecerá o dia, nem aquela agonia
De quando Ana dizia, perdemos nosso Oscar.

Nesta hora não tem jeito, não há receita pra morte
O melhor é se entregar, deixar as lagrimas rolar
Por mais que sejamos forte.

E depois de lamentar e ver que não tem mais jeito
Ele resolve guardar, as lembranças de Oscar
Lá nos cofres do seu peito.

E o lema continua, trabalhar e trabalhar
Comprar e vender, guardar e crescer
Isto não pode parar.

Diante de Samuel, tudo é desenvolvimento
O Brasil também cresceu e os netos que apareceu
Já falam em casamento.

Os netos de Samuel, trouxeram muito alegria
Suprindo a necessidade diminuindo a saudade
Que Oscar deixou um dia.

E com essa energia, dos netos ao seu redor
A empresa vai crescendo e Samuel vai vivendo
A cada dia melhor.

Mas dizem que ser avô, é duas vezes ser pai
Então se ferir um neto, o golpe será direto
E é duas vezes ai.

E não é que Samuel, foi outra vez atingido
Desta vez doeu mais forte gemeu diante da morte
Do seu neto tão querido.

Pois foi com o Leandro, que Samuel se alegrou
Enquanto ele trabalhava, o seu netinho brincava
Bem do lado do vovô.

Ninguém ia imaginar, que o Leandro fosse embora
Ainda na mocidade hoje de tanta saudade
O vovô ainda chora.

E com razão ele chora, pois quem o consolaria
Diante das suas dores, eu não conheço as floresQue também não murchariam.

Quão forte foi Samuel, quão duras foi suas dores
Parecem sobre medidas, sua pomada, sua feridaSeus espinhos, suas flores.

Seus filhos, sua esposa, os seus netos e enfim
Milhares de funcionários e seus amigos empresáriosTodos o vêem assim.

Como homem desejado, para a pátria e para o povo
Para o velho e para o novo, um paizão muito amado.

Como árvore frutífera, num verde manancial
Os frutos da sua empresa, encontro-os na minha mesa
E na balança comercial.

Alimenta muita gente e faz crescer o Brasil
Os filhos que ele tem, passa dos quarenta mil
E os empregos indiretos, são para ele como netos
Que o avô nunca viu.

Pois hoje as Casas Bahia, vem crescendo ainda mais
Do Oiapoque ao chui, tem mais loja para abrir
Rumo as mil filiais.

Se os planos já existem, Samuel não vê barreira
Para consagrar o sonho, de fazer o matrimonio
Com a família Brasileira.

E o Brasil te espera e não vê chegar o dia
E corre pra festejar, quando vai inaugurar
Mais uma Casas Bahia.

Se isto é consolador, para o nobre empresário
No tocante a sua dor e por tudo que já passou
O Brasil é solidário.

Por tudo que já perdeu, tem motivos pra chorar
Por tudo que já venceu, deve também festejar

É por isso Samuel, que a decisão é sua
Seja chorando ou sorrindo, seja descendo ou subindo
Você é sempre bem vindo, viva que a vida é sua.

E em nome do Brasil e da sua freguesia
E também dos empresários, com quem tens a parceria
E dos seus funcionários, que trabalham noite e dia.

Eu ofereço também, junto com a poesia
Meus sinceros parabéns, com amor e alegria
Um abraço Samuel Klein, dono das Casas Bahia.

São Paulo, 25/12/09
Chico da Silva

Fui Ferido




FUI FERIDO


Uma alma ferida
Com uma bala perdida
Lamenta e chora
Com as dores que vêm
Surgindo do além
E não vão embora
Assim me encontro
Parece que pronto
Pra chorar agora

Procuro a razão
Deste meu gemido
E não compreendo
Por que fui ferido
Não fui para a guerra
Não me expus lá fora
Não fui um sem terra
Alvo de outrora
Mas fui alvejado
Meu coração chora

Um projétil de dor
Num tiro certeiro
Quem o atirou
Não vi companheiro
Sem ser transpassado
Eu fui baleado
Como um forasteiro

O doutor não entende
Qual é o meu mal
E não compreende
Meu baixo astral
Mais a dor me esguicha
Pra perto do mal
Chamado injustiça
Do meio social

Pois vejo nas ruas
Menino e menina
Quase nu, ou nua
Em cada esquina
Estendendo a mão
Dizendo me dá
Um pedaço de pão
Pra me saciar

Quando pede pão
O tiro é certeiro
Não tenho nas mãos
Me resta o dinheiro
É a opção
Pra tirar o argueiro
Ouço o coração
Batendo ligeiro
Na educação
De um brasileiro
Me dizendo não
Não lhe dá dinheiro

Então digo não
Agora não dá
Não escuto a razão
Daquele me dá
E o meu coração
Começa a sondar
O próximo que passa
Certamente lhe dá
E naquela desgraça
Não quero pensar

Desgraça de quem
De repente pensei
De quem me pediu
Ou de mim que não dei
Pois está escrito
Ao que escutar
Do pobre o grito
E os ouvidos tapar
Também dará gritos
Que não se ouvirá

Nem bem me esquivei
Desse braço erguido
E logo avistei
Um homem caído
No canto da praça
Na mesma desgraça
Como pássaro ferido

Pois cortaram-lhe as asas
Não passa do chão
Não sabe o que é ter casa
Nem mesa, nem pão
Como me doeu
Tamanha maldade
O culpado sou eu
Pois sou sociedade

E o duro é sair
De casa em casa
Até descobrir
Quem assuma a causa
Quem fez a desgraça
Do homem da praça
Cortando-lhe as asas
Viverei neste tédio
Curtindo a dor
Pois não acho remédio
Nem mesmo o doutor
Que me livre da praça
E daquela desgraça
Do não doador.

São Paulo, 25/12/09

É lastimável, a indecisão das pessoas quando se deparam com uma criança ou um adulto nas ruas pedindo às vezes até um pedaço de pão.
Essa situação torna-se cada vez mais complexa em virtude da existência de espertalhões que se infiltram no meio dos necessitados ou até usam crianças para tirarem proveito de certas ocasiões, frustrando assim a expectativa de quem deu uma moeda pensando ser útil para comprar alimento, depois fica sabendo que foi ou será usada para comprar drogas, cigarros, bebidas alcoólicas, etc.
O cidadão de bom senso não se sente bem quando não dá, e não se sente bem, quando sabe que pode estar contribuindo para o uso indiscriminado de drogas, cigarros, bebidas alcoólicas, etc.
Portanto, para esse cidadão, o tiro é certeiro quando alguém lhe pede um pão, pois não sabe quem está diante de si, quer diga sim, quer diga não, sairá ferido desta colisão.
São experiências como essa que impulsionaram o autor a escrever o poema “fui ferido”.