A biografia do senhor Samuel Klein, fundador das Casas Bahia, em uma poesia.
Zaklikov polônia, o Senhor Sucher Klein
A pesar de estrangeiro, como um bom carpinteiro
Se adaptou muito bem.
Szeva klein, era a rainha do larCom quem
Sucher se casou e agora com muito amor
Tem cinco filhos pra criar.
Sloma e Esther, Schmile ou Samuel
Césia ainda muito menina, mas Isaac é que termina
Fazendo da casa um céu.
Numa família bonita, como era a prole do Klein
Não faltava alegria, enquanto os filhos cresciam
Ajudavam o pai também.
A alegria do lar, às vezes era ofuscada
Por preconceito e racismo e a ameaça do nazismo
Lhes preparando emboscada.
Descendentes de Abraão, conhecedores de Deus
Longe de sua nação, sofria humilhação
Por serem povo judeu.
Os filhos de Abraão, novamente em terra estranha
Quem diria Israel, que tu beberia fel
Nas taças da Alemanha.
À sombra desta ameaça, vivia a prole do Klein
Quanto mais tempo passava, a guerra se aproximava
E assustava os Klein.
As tropas de Adolfo Hitler, bateram na sua casa
Schmiliale foi pra ver e começou a tremer
Como quem pisou em brasa.
Quando eu falo Schmiliale para que se entenda bem
Eu explico pra vocês, traduzido em português
Este é Samuel Klein.
Que viu as tropas levarem, sua família inteira
E depois os separarem, colocando em fileira
Homem, mulher e menino, uns pra vida, outros pra morte
Cada um com seu destino, cada um com sua sorte
Viu sua mãe ser levada, com o caçula pra morte
Mas como ele ficou vivo, teve que enxergar motivo
Pra dizer que teve sorte.
Quando olhou pra sua mãe ela chorando pediu
Salve-se Samuel, salve-se e nunca mais ele a viu
E o furacão da guerra, rodopiou Samuel
Não só ele mas também, toda família do Klein
Sentiram o sabor do fél.
As perdas e humilhações são de extingue a fé
Mas como tem Deus nos Céus, encontramos Samuel
Ferido e Fugindo a pé.
Salve-se Samuel, Salve-se me lembra o sangue de Abel
Pois o clamor de sua mãe deve ter chegado ao céu.
E agora livre da guerra, procura os sobreviventes
Reencontrou três irmãos e seu pai muito doente.
Samuel vai trabalhar, tem alma de aventureiro
Mas é um rapaz esperto, sabe achar negócio certo
Onde vai ganhar dinheiro.
Como nômade na terra, sem lugar pra se firmar
Mas de cabeça erguida, como quem sabe que a vida
Tem muito que lhe ofertar.
Samuel está solteiro e precisa se casar
Traz uma alma ferida, a espera de uma querida
Que lhe possa balsamar.
Samuel encontrou Ana, por quem se apaixonou
Só foi ela concordar e ele se preparar
E em pouco tempo casou.
Mas a onde vamos morar, perguntava pra mulher
A Alemanha está ruim, preciso deixar Berlim
E as lembranças do Hitler.
Iremos para Israel, ou América do Norte
Pois estou fazendo plano, de cruzar os oceanos
Para tentar nossa sorte.
Mas saíram de Berlim, para o Rio de Janeiro
Já na América do Sul, um Céu lindo azul
Cumprimenta o estrangeiro.
De passagem pra Bolívia, por lá ele residiu
E depois de examinar, resolveu sair de lá
E vir morar no Brasil.
Tudo era muito estranho, povo, língua e cultura
Mas pra quem veio da guerra, ao olhar pra nossa terra
Só enxergava fartura.
Enquanto este povo farto, pisa em favos de mel
Pra mim que o pão acabou-se até o amargo é doce
Diria o Samuel.
E assim foi para a luta, como bom desbravador
Batendo de casa em casa, ele sustenta sua casa
Com a arte de vendedor.
E por falar em sua casa, vamos entrar para ver,
Não digo ver a mobília, mas vamos ver a família
Que não para de crescer.
Michael nasce em Berlim e vem pra América do Sul
Nasceu mais um no Brasil e quando Samuel viu
Deu-lhe o nome de Saul.
Em homenagem ao seu pai, que não pode vir pra cá
A Eva também chegou e Samuel se alegrou
Com a vinda do Oscar.
Em fim uma fase feliz, para compensar às dores
Samuel se sente assim, bem no meio do jardim
E rodeado de flores.
Mas Vamos voltar para rua, a cidade é São Caetano
Um município paulista, a freguesia aumentando
E Samuel se organizando, já tem listas e mais listas.
O dia amanheceu, Samuel está nas ruas
Não pense que era moleza, mas não havia tristeza
Quando ele estava nas ruas.
Lá vem o turco mamãe prepara logo o dinheiro
Era assim que o chamava e o Samuel adorava
A fama de mascateiro.
Pois aquela freguesia, o tratava muito bem
Uns pagando, outros comprando e a criançada gritando
Mamãe o turco já vem!
De charrete ou a pé, batendo de porta em porta
Às vezes todo molhado, outras vezes todo suado
Mas ele tinha um ditado, trabalhar é o que importa.
A língua era complicada, falar quase não sabia
Mas como bom vendedor, quantas vendas ele fechou
Com a sua simpatia!
Foi assim que Samuel, aumentou a freguesia
E com o dinheiro que ganhou, um belo dia comprou
A loja Casa Bahia.
Era só uma lojinha, na Francisco Matarazzo
Samuel se organizou, contratou mas vendedor
E insistiu na venda a prazo.
Boa farinha e bom fermento, fazem o bolo crescer
Bom produto e argumento e prazo pra pagamento
E mais fácil de vender.
Foi assim que Samuel, fez a receita caseira
E aplicou no dia-a-dia, as receitas que fazia
Para as crises financeiras.
Driblando as situações, que o mercado lhe impôs
Quando tinha que agir, se apressou em decidir
Nunca deixou pra depois .
Tornou-se respeitado, entre as multinacionais,
Cada dia que passava, a sua empresa aumentava
E Samuel vendia mais.
Muitos anos se passaram, vendo a empresa aumentar
Mais nem tudo era alegria, pois como homem sofria
Os golpes que a vida dá.
Ele chegou a onde quis, não podia reclamar
Se não fosse os dissabores, as tristezas e as dores
Que teve de enfrentar.
No meio da alegria, por tudo que conquistou
Um dia chega à tristeza, tirando de sua mesa
Quem tanto lhe alegrou.
O desfalque foi tão grande que a dor não quis parar
Não esquecerá o dia, nem aquela agonia
De quando Ana dizia, perdemos nosso Oscar.
Nesta hora não tem jeito, não há receita pra morte
O melhor é se entregar, deixar as lagrimas rolar
Por mais que sejamos forte.
E depois de lamentar e ver que não tem mais jeito
Ele resolve guardar, as lembranças de Oscar
Lá nos cofres do seu peito.
E o lema continua, trabalhar e trabalhar
Comprar e vender, guardar e crescer
Isto não pode parar.
Diante de Samuel, tudo é desenvolvimento
O Brasil também cresceu e os netos que apareceu
Já falam em casamento.
Os netos de Samuel, trouxeram muito alegria
Suprindo a necessidade diminuindo a saudade
Que Oscar deixou um dia.
E com essa energia, dos netos ao seu redor
A empresa vai crescendo e Samuel vai vivendo
A cada dia melhor.
Mas dizem que ser avô, é duas vezes ser pai
Então se ferir um neto, o golpe será direto
E é duas vezes ai.
E não é que Samuel, foi outra vez atingido
Desta vez doeu mais forte gemeu diante da morte
Do seu neto tão querido.
Pois foi com o Leandro, que Samuel se alegrou
Enquanto ele trabalhava, o seu netinho brincava
Bem do lado do vovô.
Ninguém ia imaginar, que o Leandro fosse embora
Ainda na mocidade hoje de tanta saudade
O vovô ainda chora.
E com razão ele chora, pois quem o consolaria
Diante das suas dores, eu não conheço as floresQue também não murchariam.
Quão forte foi Samuel, quão duras foi suas dores
Parecem sobre medidas, sua pomada, sua feridaSeus espinhos, suas flores.
Seus filhos, sua esposa, os seus netos e enfim
Milhares de funcionários e seus amigos empresáriosTodos o vêem assim.
Como homem desejado, para a pátria e para o povo
Para o velho e para o novo, um paizão muito amado.
Como árvore frutífera, num verde manancial
Os frutos da sua empresa, encontro-os na minha mesa
E na balança comercial.
Alimenta muita gente e faz crescer o Brasil
Os filhos que ele tem, passa dos quarenta mil
E os empregos indiretos, são para ele como netos
Que o avô nunca viu.
Pois hoje as Casas Bahia, vem crescendo ainda mais
Do Oiapoque ao chui, tem mais loja para abrir
Rumo as mil filiais.
Se os planos já existem, Samuel não vê barreira
Para consagrar o sonho, de fazer o matrimonio
Com a família Brasileira.
E o Brasil te espera e não vê chegar o dia
E corre pra festejar, quando vai inaugurar
Mais uma Casas Bahia.
Se isto é consolador, para o nobre empresário
No tocante a sua dor e por tudo que já passou
O Brasil é solidário.
Por tudo que já perdeu, tem motivos pra chorar
Por tudo que já venceu, deve também festejar
É por isso Samuel, que a decisão é sua
Seja chorando ou sorrindo, seja descendo ou subindo
Você é sempre bem vindo, viva que a vida é sua.
E em nome do Brasil e da sua freguesia
E também dos empresários, com quem tens a parceria
E dos seus funcionários, que trabalham noite e dia.
Eu ofereço também, junto com a poesia
Meus sinceros parabéns, com amor e alegria
Um abraço Samuel Klein, dono das Casas Bahia.
São Paulo, 25/12/09
Chico da Silva
Adorei...
ResponderExcluirMeus parabéns pela bela poesia...
Laylla
Infelizmente Samuel Klein, fundador das Casas Bahia, faleceu essa quinta-feira. Um homem espetacular, com muitas histórias pra contar. Em 2009 cheguei a fazer uma poesia baseada na sua biografia, uma pena que nunca tenha chegado em suas mãos (até onde eu saiba). Meus pêsames à família, e que ele possa descansar em paz.
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